Um guatemalteco, identificado como José Chajón-Raxón, morreu num centro de detenção do Serviço de Controlo de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos. É a terceira morte do tipo, ligada a complicações médicas, que acontece no centro de detenção de imigrantes Delaney Hall, em Newark. De acordo com um comunicado divulgado na quarta-feira pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA e citado pelo The New York Times, Chajón-Raxon tinha sido detido por agentes do ICE e transferido para o centro Delaney Hall em meados de julho. No dia seguinte, Chajon-Raxon sofreu uma convulsão e o serviço médico de emergência foi acionado. Chajon-Raxon terá sido levado para um hospital e libertado da custódia do ICE alguns dias depois, a 22 de julho, informou o DHS, que não informou quando ou onde é que o homem morreu - nem divulgou a sua idade ou morada. O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes dos EUA, Hakeem Jeffries, denunciou "as condições de vida insalubres" às quais os detidos são submetidos, que muitas vezes não recebem tratamento médico adequado, incluindo mulheres grávidas. Já o democrata Rob Menendez, de Nova Jersey, lamentou, numa declaração feita nas redes sociais, que o ICE esteja a tentar "esquivar-se da responsabilidade" pelas mortes nas ruas americanas durante operações anti-imigrantes e em centros de detenção em todo o país. "O ICE, em consonância com a ideologia da administração Trump, está determinado a evitar o escrutínio público e a não assumir mais qualquer responsabilidade pelas suas falhas. Reverteu deliberadamente uma política da era Biden para criar uma brecha que lhe permite 'libertar' alguém da custódia e, em seguida, alegar que não tem responsabilidade de investigar a sua morte ou de informar o Congresso ou o público", afirmou. O Delaney Hall, o maior centro de detenção do ICE na costa leste dos EUA, com mais de 1.000 vagas, é operado pelo GEO Group ao abrigo de um contrato de 15 anos, no valor de mil milhões de dólares. Desde o início da campanha de deportações em massa de Trump, o centro de detenção tem sido alvo de críticas devido à superlotação que mantém, mas sobretudo após as mortes sob custódia do ICE de um salvadorenho identificado como Edwin López-Cornejo e de um haitiano chamado Jean Wilson Brutus. Pelo menos 17 imigrantes morreram sob custódia do ICE desde o início do ano, mas uma investigação recente da CNN refere que quase 50 detidos do ICE morreram desde que Trump assumiu a presidência, o que constitui o número mais elevado de mortes em pelo menos duas décadas. Leia Também: Quarenta senadores pedem reformas no ICE após morte de dois migrantes